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Para evitar caminhão vazio, empresas ampliam compartilhamento de carga

compartilhamento de carga
(Last Updated On: 6 de dezembro de 2016)

A estratégia de transportar cargas de outras empresas para evitar que caminhões transitem vazios tem ganhado força, segundo companhias que adotam a iniciativa de compartilhamento de carga.

“Houve uma intensificação, de 2015 para cá, com a busca por alternativas em meio à retração econômica”, afirma Ricardo Gelain, diretor da JBS Transportadora.

A estimativa é aumentar de 10% a 15% o número de clientes e de rotas compartilhadas nos próximos anos, diz o executivo. O frigorífico adotou a estratégia em 2012 e conta hoje com dez parceiros.

O acordo entre as partes se assemelha a uma operação comercial padrão, com a exceção de que a companhia que controla a frota tem prioridade nas entregas.

“Levamos produtos para grandes centros consumidores, e nossa produção se concentra no Norte e Centro-Oeste. Como nossos parceiros precisam fazer o caminho contrário, a ideia faz sentido para os dois lados.”

Empresas que oferecem a solução de transporte compartilhado não raro contratam o mesmo serviço de terceiros. É a relação existente entre JBS e Ambev, por exemplo.

“É um ‘ganha-ganha’. A partir desse programa conseguimos ter e oferecer frotas para trechos específicos”, diz Pablo Vieira, diretor de logística da Ambev.

A empresa também adota a iniciativa desde 2012 e possui hoje 20 clientes. “A curva de adesão ao compartilhamento de frota é crescente e continuaremos abertos para expandi-lo”, afirma Vieira.

Como funciona o compartilhamento de carga

1) Caminhões controlados pela empresa A saem da central de distribuição e realizam a entrega

2) Para não retornarem vazios, são carregados com produtos da companhia B, que contrata e paga normalmente pelo serviço

3) Mercadoria da empresa B é entregue em alguma região localizada no caminho de volta

 

Demanda pequenina

Transportadoras menores aderiram à tendência de investir em soluções para reduzir gastos com rotas e combustível durante períodos de crise, segundo as fornecedoras de tecnologia.

O movimento, natural entre companhias de grande porte, passou a ocorrer com maior frequência entre pequenas e médias, afirmam.

“Por serem mais ágeis, as menores sentem o impacto dessas aplicações mais rapidamente”, diz Cristina Palmaka, presidente da SAP Brasil.

O maior interesse desse público-alvo contribuiu para um aumento de 25% a 30% na demanda por soluções logísticas, aponta a Totvs.

A tendência é confirmada pela Maplink, que, após comprar a francesa Optilogistic, em outubro, terá como um dos seus focos atender empresas com até 15 veículos.

 

Armazém gringo

A gestora brasileira de recursos TRX finalizou a compra de dois terrenos próximos a Miami para construir galpões industriais logísticos.

Os projetos deverão ser concluídos entre o fim de 2017 e o início de 2018, segundo a empresa. O investimento total será de US$ 60 milhões (cerca de R$ 205,4 bilhões).

O valor foi captado com fundos de investimento oferecidos pelo grupo.

Diferentemente do mercado brasileiro, em que a atual taxa de vacância é superior a 20%, no sul da Flórida esse índice é menor que 4%, afirma Scott Pryce, diretor-executivo da TRX Investments.

“Os Estados Unidos têm mais capital e um menor número de projetos disponíveis que no mercado brasileiro.”

Os galpões serão os primeiros do grupo nos EUA. No Brasil, pelo menos 50 empreendimentos já foram construídos, segundo a empresa.

 

Poço sem fundo

O varejo deverá fechar este ano com uma queda de 6,6%, segundo projeção da ACSP (Associação Comercial de São Paulo). É um tombo pior que o do ano passado, que foi de 4,3% em relação a 2014.

“O índice de confiança do consumidor coloca o número para baixo. Havia melhorado, mas teve novas reduções”, diz Marcel Solimeo, economista da entidade.

Na simulação da entidade, o varejo deverá seguir em retração no ano que vem.

Fonte: UOL Economia

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