Uma parte importante do trabalho de uma transportadora é gerenciar os preços cobrados pelos seus serviços aos clientes, e uma forma mais estruturada e inteligente de fazer isso é por meio da criação de uma tabela de frete.

Organizar os valores do transporte de carga é uma tarefa que envolve diversos aspectos, porém, feita com critério, ajuda na saúde financeira da empresa, pois permite que sejam praticados valores certos e justos que, consequentemente, serão mais competitivos.

Se você tem dúvidas de como calcular frete, acompanhe este conteúdo e confira, agora mesmo, 3 passos para elaborar sua tabela de frete!

1. Entenda a função da tabela de frete

A tabela de frete está presente no contrato apontando quais valores serão cobrados pelos serviços que você oferece. Os preços variam de acordo com as tarifas da transportadora e, especialmente, se ela lida com carga completa ou fracionada. É possível cobrar o cliente conforme a quilometragem, o peso da carga ou outras especificidades.

Ter uma ferramenta dessa, pronta e bem embasada, favorece o fluxo operacional da empresa, pois ela apresenta vantagens como:

  • entrega mais rápida de cotações para os clientes;
  • aumento das solicitações e vendas (como consequência da redução do tempo de resposta);
  • adoção de preços compatíveis com a média do mercado;
  • análise facilitada dos resultados da empresa (assim, gestores avaliam destinos, veículos ou tipos de mercadoria que rendem mais pedidos e são, portanto, mais lucrativos);
  • praticidade, agilidade e menos burocracia no trabalho da equipe.


2. Conheça os elementos que fazem parte da tabela de frete

No processo de montar uma tabela de frete completa e informativa, o primeiro passo é o levantamento de informações. Veja quais são os 8 principais fatores que devem ser considerados:

2.1. Tipo de carga

Se sua transportadora trabalha com diferentes tipos de carga, precisa precificar seu frete de acordo com cada demanda. Afinal, não se pode comparar os custos e as particularidades da remessa de medicamentos, alimentos, objetos sensíveis ou valiosos com o transporte de roupas, por exemplo.

Variações como a necessidade de embalagens especiais e conservação da temperatura são exemplos de aspectos que influenciam no preço da viagem.

2.2. Pontos de entrega e rota

Alguns destinos exigem passar por estradas em péssimas condições, que colaboram para o desgaste precoce de pneus, aumento de manutenções e tempo maior de viagem. Ao mesmo tempo, outras regiões são notoriamente mais perigosas, com altos índices de assaltos.

Simultaneamente, em cargas completas, um caminhão geralmente cobre uma rota única e direta até seu destino final. Por outro lado, cargas fracionadas pressupõem que um mesmo veículo carrega mercadorias para diferentes clientes e endereços e, portanto, precisa cobrir um trajeto com várias paradas, o que eleva o tempo e indica, talvez, a necessidade de mais colaboradores para realizar a carga, descarga e manuseio.

2.3. Quilometragem

Quanto mais longo é o percurso, maiores serão os gastos com combustível, alimentação e hospedagem do motorista. Por isso, a quilometragem é um item essencial na tabela de frete.

2.4. Tipo de veículo utilizado

Com base nos dados coletados até então, a empresa pode decidir o veículo que melhor atende, cumprindo o percurso pelo menor preço e custo, sem danificar as mercadorias.

Às vezes, um mesmo veículo pode atender uma variedade de cargas, mas ele pode precisar de algum equipamento ou adaptação para o serviço. Entenda o que será necessário para fazer a cobrança correta do cliente e não sair no prejuízo.

2.5. Peso e volume (cubagem)

É natural que o frete de uma carga mais pesada e que ocupa maior espaço no caminhão seja mais elevado, independentemente da quilometragem. O motivo disso é que esses elementos favorecem o desgaste do caminhão e exigem maior tempo de carregamento.

2.6. Gestão de riscos

O transporte de cargas é uma atividade que apresenta riscos, como acidentes rodoviários, assaltos, perda de objetos, entre outros. Qualquer que seja o inconveniente, a transportadora precisa se precaver financeiramente para cobrir um possível prejuízo. Em função disso, existem duas taxas que entram na tabela de frete:

  • frete valor ou Ad Valorem: visa cobrir todas as variáveis, como avarias, quebras, perdas, roubos etc.;
  • GRIS (Gerenciamento de Risco em Transporte Rodoviário de Cargas): é um percentual cobrado sobre o valor da mercadoria em nota fiscal.

2.7. Impostos

Para compor o preço do frete, considere o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), o PIS (Programa de Integração Social) e o COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), que são fixos. Além disso, investigue o valor de taxas estaduais e municipais da região que você atenderá, bem como os pedágios e tarifas.

2.8. Cobranças adicionais

Outras taxas podem ser incluídas no preço final de acordo com o critério das transportadoras. Confira alguns exemplos:

  • rotas em regiões com tráfego pesado ou sem a possibilidade de carga no retorno;
  • tarifas pelo despacho, coleta, reentrega ou atrasos;
  • número de remessas a serem feitas;
  • agendamento (remessas com horário predefinido que geram risco de atraso ou não entrega.);
  • custos variáveis e fixos (combustível, manutenção, lubrificantes etc.);
  • margem de lucro.

3. Veja como montá-la

Depois de levantar todas as informações pertinentes à carga e ao transporte, siga os seguintes passos para criar sua tabela de frete:

3.1. Calcule o frete peso

É um valor definido pela relação entre o peso bruto de uma carga e seu peso cubado. O resultado de maior valor determina a cobrança, ou seja: se a mercadoria ocupa um espaço maior que seu peso, o volume, então, é levado em consideração na conta e vice e versa. O peso cubado é calculado da seguinte forma:

  • peso cubado em kg = (comprimento) x (largura) x (altura) em m³ X 300 em kg/m³ (fator de cubagem utilizada usualmente que representa 1 metro cúbico).

Assim, para descobrir o frete valor, defina na tabela o preço do transporte de uma carga de determinado peso cubado em relação à distância do percurso.

3.2. Defina o frete valor

Calculado com base no preço da mercadoria em nota fiscal. Isso é importante no caso do transporte de itens muito caros. Confira a fórmula:

  • frete valor = (valor da carga em nota) x (percentual frete valor de acordo com a distância percorrida)

3.3. Adicione tarifas fixas ou extras

Por fim, a transportadora pode adicionar taxas especiais comumente praticadas, por exemplo:

  • taxa de despacho;
  • serviços especiais, como agendamento;
  • taxa de restrição do trânsito (TRT);
  • taxa de dificuldade na entrega (TDE).

Além disso, devem-se acrescentar os impostos e pedágios. O somatório de todos esses valores e percentuais configura o preço final que será cobrado pelo cliente e as variáveis que formam a tabela de frete.

A tabela de frete facilita muito a rotina de um negócio, pois ela serve como referência sobre os fatores e preços cabíveis para fazer cotações acertadas, e até mesmo para simular frete. Com ela, a transportadora dificilmente sofre prejuízos, pois sabe com precisão o valor de seu serviço.

Gostou de saber como montar uma tabela de fretes e como calcular o frete? O que sua empresa leva em conta na hora de formular esses valores? Deixe um comentário abaixo e compartilhe suas ideias e experiências sobre o assunto!

2 Comments

  1. Ismael disse:

    pode ser fácil pra vcs e pra quem já tem transportadora, mas pra quem ta começando vc não consegue montar essa tabela não, isso de 3 etapas seinão mas não vai

    • Carolini Camargo disse:

      Bom dia, Ismael!

      De fato, montar uma tabela de frete não é uma tarefa fácil. Este post foi escrito pensando justamente naqueles que não tem uma orientação sobre por onde começar. Infelizmente não existe uma fórmula exata, porque cada transportadora tem suas particularidades, mas já serve como um ótimo começo!

      De qualquer forma, os nossos clientes têm toda a ajuda necessária do nosso time de suporte pra deixar a tabela de frete rodando perfeitamente. Basta configurar uma vez, e os cálculos são feitos automaticamente nas operações. Quem usa, não fica mais sem! 😉

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